Coletivo Psicanalítico de Escuta de Pais de Autistas
Antes de cuidar, é preciso poder falar.
Ser mãe ou pai de uma pessoa autista pode produzir perguntas, angústias, conflitos e transformações que nem sempre encontram espaço para serem ditos. O CPEPA oferece um espaço de escuta psicanalítica para mães e pais que desejam falar sobre aquilo que essa experiência produz em suas vidas.
Quando todos perguntam pela criança, quem pergunta pelos pais?
O CPEPA
Um coletivo para quem cuida
O CPEPA — Coletivo Psicanalítico de Escuta de Pais de Autistas — é uma iniciativa de caráter clínico, social e psicanalítico destinada a oferecer escuta a mães, pais e responsáveis por pessoas autistas.
Grande parte das redes de atenção ao autismo está organizada em torno da criança. Nesse contexto, mães e pais frequentemente aparecem como acompanhantes do tratamento, enquanto seu próprio sofrimento permanece em segundo plano.
O CPEPA propõe um deslocamento dessa perspectiva. Se a criança é frequentemente objeto de cuidado, quem escuta aqueles que cuidam?
A escuta
Escutar não é aconselhar
A escuta psicanalítica não parte da oferta de respostas prontas para os impasses familiares. O sujeito não precisa chegar sabendo exatamente o que dizer — a escuta começa justamente onde algo precisa ser dito.
O que a escuta pode acolher
- o impacto subjetivo do diagnóstico
- angústias e incertezas
- conflitos conjugais e familiares
- sentimentos de solidão e ambivalência
- impasses no exercício da parentalidade
- efeitos do excesso de cobranças
Essa não é uma lista de problemas que o CPEPA promete resolver. É apenas uma amostra do que pode encontrar lugar na fala.
O que o CPEPA não oferece
Para preservar sua identidade clínica, o coletivo deixa claros seus limites.
- tratamento do autismo da criança
- terapia comportamental
- treinamento parental ou manejo de comportamentos
- promessa de cura
- diagnóstico ou acompanhamento medicamentoso
- uma fórmula de como educar os filhos
Para pais
Para os pais, sem culpa e sem respostas prontas
O CPEPA não atribui aos pais a causa do autismo. Ao mesmo tempo, não os reduz a vítimas passivas de uma situação sobre a qual nada poderiam dizer.
A escuta abre espaço para que cada sujeito reconheça sua própria posição — seus desejos, seus conflitos e suas escolhas — sem transformar isso em acusação.
Não é necessário que exista uma crise específica para procurar a escuta.
Como funciona
Da solicitação ao primeiro encontro
O caminho até a escuta é simples. A indicação considera o horário em que você consegue participar, buscando uma psicanalista ou um psicanalista disponível nesse período.
- 01
Solicitar a escuta
Você preenche uma solicitação breve, indicando seus horários preferidos e a modalidade — online ou presencial.
- 02
Primeiro contato
O coletivo recebe sua solicitação e realiza um acolhimento para compreender seus horários e necessidades.
- 03
Conhecer um psicanalista
Com base na sua disponibilidade, o CPEPA indica um psicanalista do coletivo cujo horário de atendimento seja compatível.
- 04
Começar a falar
Os encontros acontecem com regularidade, em sessões de escuta com valor simbólico — sem cobranças e sem respostas prontas.
Valor simbólico
Um valor simbólico para que a escuta possa chegar a quem precisa ser escutado
O CPEPA nasce com uma finalidade de ampliação do acesso à escuta psicanalítica. Por isso, os atendimentos são oferecidos mediante um valor simbólico, definido segundo as condições e os critérios estabelecidos pelo coletivo.
O conceito de valor simbólico é preferível à ideia de um serviço simplesmente “barato” ou “gratuito”: ele preserva a dimensão clínica da contribuição e evita apresentar a escuta como um serviço sem valor.
O valor e as condições de atendimento são apresentados de maneira transparente, evitando constrangimentos ou exposição da situação financeira de quem participa. Ao mesmo tempo, acesso não significa precarização do trabalho clínico: o coletivo busca equilíbrio entre acesso, dignidade, responsabilidade clínica e sustentabilidade institucional.
Quem somos
A posição do CPEPA
A escuta da singularidade
O coletivo sustenta a escuta do sujeito, reconhecendo que cada pai e cada mãe responde de maneira própria ao acontecimento do autismo na história familiar. Não existe uma experiência parental universal.
O diagnóstico não explica tudo
O diagnóstico nomeia uma condição clínica, mas não esgota o que essa nomeação produz na subjetividade dos pais. O CPEPA busca oferecer condições para que esse significado possa aparecer no próprio discurso do sujeito.
Interdisciplinaridade
Quando houver necessidade de outros acompanhamentos, o participante poderá ser orientado a profissionais ou serviços adequados — sem que o coletivo deixe de preservar seu campo próprio: a escuta do sujeito.
Dúvidas
Perguntas frequentes
Quem pode solicitar a escuta?
Mães, pais e responsáveis diretamente envolvidos com a experiência de ter uma pessoa autista na família.
Preciso estar em crise para procurar a escuta?
Não. Não é necessário que exista uma crise específica. A proposta contempla diferentes momentos da trajetória familiar.
O CPEPA atende crianças?
Não. O CPEPA trata da escuta dos pais e responsáveis. A criança pode estar presente no discurso parental, mas não constitui o objeto direto da intervenção.
A escuta ensina como educar meu filho?
Não. O analista não ocupa o lugar daquele que sabe como os pais devem agir. O CPEPA não oferece treinamento parental nem manejo de comportamentos.
Como funciona o valor simbólico?
Os atendimentos são oferecidos mediante um valor simbólico, definido segundo os critérios do coletivo e apresentado de forma transparente, sem exposição da situação financeira de quem participa.
A escuta é presencial ou online?
As duas modalidades podem estar disponíveis. Na solicitação, você indica sua preferência e os horários em que consegue participar; a indicação considera essa informação.
Um espaço para quem também precisa ser escutado
Fale sobre o que a experiência de cuidar produz em sua vida. Sem culpa, sem respostas prontas.
Quero ser escutado